Como publicar um livro infantil: o que muda no projeto gráfico
Livro infantil não é livro curto. É um projeto onde imagem e texto são lidos juntos, e isso muda tudo no projeto gráfico.
Como publicar um livro infantil: o que muda no projeto gráfico
Hoje é 12 de outubro, Dia das Crianças e também Dia Nacional da Leitura. A Lei 11.899/2009 fixou a data e criou a Semana Nacional da Leitura e da Literatura na semana em que ela cai. É um bom dia para falar de um tipo de livro que muita gente acha simples: o livro infantil.
Livro infantil não é livro curto. É um livro em que a criança lê a imagem antes de ler a palavra, e isso muda cada decisão do projeto gráfico.
A faixa etária define o livro inteiro
Antes do texto, defina para quem você escreve. Um livro para quem ainda não lê sozinho tem poucas palavras por página e depende da pessoa que lê em voz alta. Um livro para quem já lê sozinho comporta capítulos curtos, mais texto e menos ilustração por página.
- De 0 a 3 anos: poucas palavras, páginas resistentes, imagens grandes e contrastadas
- De 4 a 6 anos: uma ou duas frases por página, ilustração ocupando a maior parte do espaço
- De 7 a 9 anos: capítulos curtos, ilustrações pontuais, tipografia ainda grande
- De 10 a 12 anos: texto corrido, ilustração como abertura de capítulo
Texto e imagem são escritos juntos
No livro infantil, a ilustração não decora o texto. Ela conta a parte que o texto deixa de fora. Por isso o autor entrega, junto com o texto, uma indicação do que acontece em cada página. Essa divisão em páginas é o primeiro trabalho do projeto, e ela costuma mudar o texto.
O formato e o número de páginas
Livros infantis ilustrados costumam ser produzidos em múltiplos de quatro páginas, porque é assim que o papel é dobrado na impressão. Na prática, o projeto é pensado para fechar em 16, 24, 32 ou 40 páginas. Isso não é detalhe de gráfica: define quantas cenas a história tem.
Impressão em cores muda o orçamento
O miolo colorido custa mais do que o miolo em preto e branco, e o papel precisa suportar a cor sem transparecer a página seguinte. Acabamento, gramatura e tipo de capa entram na mesma conta. É por isso que o orçamento de um infantil não se compara ao de um livro de texto do mesmo número de páginas.
A tipografia é parte da alfabetização
Fontes com letras muito estilizadas atrapalham quem está aprendendo a ler. O corpo da letra é maior, o espaço entre linhas é mais generoso e o texto evita hifenização. São escolhas que o leitor adulto nem percebe e que a criança sente na primeira página.
Dois infantis da casa
A Editora Alma produziu Eduardo e o Monstro da Raiva, sobre uma criança aprendendo a lidar com a própria raiva, e João Não Queria Plantar Feijão, sobre curiosidade e descoberta. Nos dois, o texto foi dividido em páginas antes da primeira ilustração, e o projeto gráfico nasceu dessa divisão.
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