EDITORA ALMA

Como escrever um livro: o caminho que funciona para quem não é escritor

Quase ninguém trava por falta de talento. Trava por começar pela primeira frase, em vez de começar pelo esqueleto.

Hoje é 29 de outubro, Dia Nacional do Livro. A data costuma ser lembrada por remeter à criação da Biblioteca Nacional, em 1810. É um bom dia para falar do lado menos romântico do livro: o trabalho de escrever um.

Quase ninguém trava por falta de talento. Trava por começar pela primeira frase, olhando a página em branco, em vez de começar pelo esqueleto.

1. Decida para quem você escreve

Antes de qualquer linha, escreva em uma frase quem é o seu leitor e o que muda na vida dele depois de ler. Se a frase não sai, o livro ainda não existe — e nenhuma quantidade de escrita resolve isso.

"Um livro sobre liderança" não é promessa. "Um livro para quem virou gestor de um time que era seu par até semana passada" é.

2. Escolha o formato antes do conteúdo

Método, memória, ensaio, ficção e manual pedem estruturas diferentes. Um livro de método anda em etapas. Uma memória anda em cenas. Um ensaio anda em argumentos. Misturar os três no mesmo volume é a causa mais comum de original que não fecha.

3. Monte o esqueleto

Liste os capítulos antes de escrever. Em cada um, uma linha: o que o leitor entende ao terminar aquele capítulo. Se dois capítulos entregam a mesma coisa, eles são um só. Se um capítulo não entrega nada, ele é introdução de outro.

O esqueleto é o que transforma "escrever um livro" em vinte tarefas pequenas. E tarefa pequena a gente consegue começar.

4. Escreva a primeira versão sem editar

A primeira versão serve para existir, não para ficar boa. Quem revisa enquanto escreve reescreve o primeiro capítulo quinze vezes e não chega ao quinto.

Separe os dois trabalhos. Primeiro você joga o barro na mesa. Depois você esculpe.

5. Crie uma rotina que caiba na sua semana

  • Horário fixo vence disposição: quem escreve "quando der" não escreve
  • Meta pequena e diária funciona melhor que maratona de fim de semana
  • Pare no meio de uma ideia, não no fim de um capítulo: é mais fácil retomar
  • Deixe anotado o que vem depois, para não gastar a sessão seguinte se lembrando
  • Grave áudio quando não der para escrever: falar é mais rápido que digitar

6. O que fazer quando empaca

Empacar quase sempre é problema de estrutura, não de inspiração. Quando o texto não anda, o capítulo costuma estar no lugar errado, ou você está tentando escrever algo que ainda não decidiu.

Volte ao esqueleto. Pule para outro capítulo. Conte o trecho em voz alta para alguém e transcreva o que você falou.

7. Saiba quando parar

O original está pronto para a editora quando ele está inteiro, mesmo bruto — começo, meio e fim, com todos os capítulos escritos. Não quando está perfeito, porque perfeito não acontece sozinho: é trabalho de leitura crítica, edição e revisão, e você não precisa fazer isso sozinho.

Entregar um livro inteiro e bruto acelera o projeto. Entregar partes polidas de um livro que ainda não fechou atrasa.

E quando o livro está na cabeça, não no papel

Tem quem tenha a obra pronta na fala e nenhuma linha escrita. Para esse caso existe o ghostwriting: entrevistas conduzidas pela nossa editora-chefe, Daniela Vilhalva, que viram texto com a voz do autor.

Quando o seu original estiver inteiro, o próximo passo está em manuscrito pronto: e agora?. E se quiser já ver o cronograma e o investimento, monte a sua proposta na calculadora de orçamento do site.