Royalties de livro: quanto o autor recebe, e sobre o que incide
Percentual alto sobre base baixa rende menos que percentual modesto sobre base alta. É por isso que comparar só o número é o erro mais caro.
Royalties de livro: quanto o autor recebe, e sobre o que incide
Quando o assunto é quanto o autor ganha, quase todo mundo olha o percentual e ignora a pergunta que decide o valor: percentual sobre o quê?
Dez por cento do preço de capa e dez por cento do que a editora recebe depois do desconto da livraria são dois valores bem diferentes pelo mesmo livro.
As três bases de cálculo
- **Preço de capa.** O valor impresso no livro. É a base mais favorável ao autor
- **Preço de venda.** O que o leitor pagou, já com desconto. Varia a cada promoção
- **Receita líquida da editora.** O que sobrou para a editora depois do desconto do canal. É a base mais comum em contrato moderno, e a mais baixa das três
Antes de discutir percentual, descubra qual dessas três o contrato usa. Essa única linha muda mais o seu rendimento que qualquer negociação de ponto percentual.
Editora tradicional
No modelo em que a editora investe e assume o risco, o autor recebe royalties periódicos. No mercado brasileiro, a referência mais citada gira em torno de dez por cento do preço de capa para livro impresso, com variações para cima em autor consagrado e para baixo em coedição, coletânea e primeira obra.
Trate esse número como ordem de grandeza, não como padrão garantido: cada contrato define o seu. O que você deve exigir, sempre, é clareza sobre a base e sobre a periodicidade da prestação de contas.
Venda direta pelo autor
É onde a margem é maior e menos gente faz a conta. Vendendo você mesmo — em palestra, no site, no evento — você fica com o preço de venda menos o custo por exemplar, a taxa do meio de pagamento e o frete.
Vender vinte exemplares no fim de uma palestra costuma render mais que duzentos vendidos por canal de terceiro. É o motivo de livro de autoridade e palestra andarem juntos.
Livraria e distribuidor
Livraria trabalha com desconto sobre o preço de capa, e distribuidor entra com a margem dele no meio. É a razão pela qual o autor recebe pouco por exemplar vendido em grande rede — e também a razão pela qual vale estar lá: alcance, vitrine e credibilidade, não margem.
Kindle e lojas digitais
Na Amazon, o autor que publica pelo KDP escolhe entre duas faixas de royalties. A faixa maior exige que o preço do e-book fique dentro de um intervalo definido pela loja e desconta uma taxa de entrega proporcional ao tamanho do arquivo; a faixa menor aceita qualquer preço e não cobra essa taxa.
Os percentuais, o intervalo de preço e a taxa por megabyte são definidos pela Amazon e mudam de tempo em tempo, inclusive por país. Confirme a tabela vigente no painel do KDP antes de precificar — e, se o seu livro tem muitas imagens, repare na taxa de entrega, que é onde o infantil ilustrado perde dinheiro.
O comparativo entre os dois formatos está em livro impresso ou Kindle, e o passo a passo da publicação em como publicar livro na Amazon.
O que perguntar antes de assinar
- Qual é a base de cálculo do royalty?
- De quanto em quanto tempo eu recebo relatório, e o que ele mostra?
- O percentual é o mesmo para impresso, digital e audiolivro?
- Como são tratados os exemplares de cortesia e de divulgação?
- Existe adiantamento, e ele é descontado dos royalties futuros?
As demais cláusulas que mudam a conta estão em contrato de edição: o que verificar. E o que compõe o custo do projeto está em quanto custa publicar um livro.
Na Editora Alma, o autor mantém a obra e os arquivos, e o que ele recebe por venda direta não passa pela editora. Monte a sua proposta na calculadora de orçamento do site.
